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UFPR Apresenta Vacina em Desenvolvimento à Frente Parlamentar do Coronavírus

Elaine Leal     30 de março de 2021 - 7h44

Representantes da Universidade Federal do Paraná (UFPR) participaram na manhã de segunda-feira (29) de uma reunião com a Frente Parlamentar do Coronavírus, da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). 

O reitor da UFPR Ricardo Marcelo Fonseca e os pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da vacina contra o coronavírus relataram o estágio atual da pesquisa e os passos necessários para a conclusão dos testes. Também participaram da reunião a vice-reitora Graciela Bolzón de Muniz e o pró-reitor de Planejamento, Orçamento e Finanças Fernando Marinho Mezzadri. 

Fonseca agradeceu a oportunidade de interlocução com a bancada e enfatizou a estratégia da UFPR de oferecer uma alternativa vacinal viável e eficaz, com produção inteiramente nacional. Esclareceu também que hoje, entre as vacinas em desenvolvimento no Brasil, a da UFPR se encontra entre as cinco primeiras que alcançaram o atual estágio de pesquisa. 

Outro ponto abordado pelo reitor foi a importância da ciência no contexto da pandemia para esclarecer a população e oferecer soluções para a doença. “Em tempos de tranquilidade, ou de crise absoluta, a voz da ciência deve ser ouvida. Mais de 90% da produção de ciência e tecnologia estão dentro das universidades públicas. As respostas que o Brasil e o Paraná precisam estão nas universidades”, sintetizou. 

A reunião entre a frente parlamentar e os representantes da UFPR ocorreu de forma remota. Imagem: reprodução

Estágio atual 

Os pesquisadores explicaram o conceito da vacina e o que falta para que os testes pré-clínicos sejam concluídos, viabilizando assim a testagem em humanos.  A tecnologia utilizada para desenvolver a vacina da UFPR é fruto de outras pesquisas com biopolímeros biodegradáveis e com partes específicas de proteínas virais.  

Emanuel Maltempi de Souza explicou que os testes revelaram uma produção de anticorpos superior à da vacina AstraZeneca/Oxford. Embora esse tipo de experimento seja de difícil comparação, os resultados têm superado as expectativas da equipe. A conclusão dos testes pré-clínicos poderá ocorrer em cerca de seis meses. “Cronograma em ciência é uma coisa incerta, mas acreditamos que no final do ano consigamos juntar os dados para a fase clínica”, apontou.  

O professor Marcelo Müller dos Santos explicou que três aspectos da vacina da UFPR são relevantes para o sucesso de sua implementação: o fato de a substância já ter aprovação de órgãos como o FDA para uso médico, o que deve facilitar a aprovação dos ensaios clínicos; a parceria com empresas que produzam o biopolímero; e a comprovada estabilidade do imunizante, que por estar imobilizado no biopolímero, facilita o acondicionamento e o transporte.  

Já o professor Breno Castello Branco Beirão detalhou que os testes com animais apresentaram resultados biológicos consistentes, o que propicia a continuidade dos testes pré-clínicos. “Estamos próximos da conclusão e buscamos esse impulso para que o produto não seja só um papel, mas algo que possa proteger a população”, sintetizou. Beirão destacou ainda a possibilidade de adaptação futura da tecnologia aplicada nessa vacina para a solução de outras doenças, como zika, dengue, chikungunya e parasitoses. 

Recursos 

Até o momento, a pesquisa recebeu aporte de aproximadamente R$ 230 mil pela Rede Vírus, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), além de outros R$ 40 mil em recursos próprios da universidade. De acordo com Souza, os custos envolvidos podem chegar a R$ 30 milhões, considerando todas fases dos testes pré-clínicos e clínicos, baseando-se em pesquisas já finalizadas e no material publicado sobre o assunto. 

Durante a reunião, o coordenador da frente parlamentar, deputado Michele Caputo, salientou o “esforço heroico” dos pesquisadores em avançar nos testes com o valor obtido até agora. Caputo anunciou que a frente solicitará à mesa Diretora da Alep o aporte de R$ 2 milhões para incremento das pesquisas. 

Ao final da reunião, o reitor da UFPR reafirmou a disponibilidade da instituição para trabalhar a favor da sociedade, mesmo com os sucessivos cortes no orçamento nos últimos anos. “O SUS, a ciência e a universidade precisam ser olhadas com carinho. É importante que todos os setores da sociedade se deem as mãos. A universidade está ao lado do povo paranaense”, concluiu Ricardo Marcelo Fonseca. 

Confira abaixo a transmissão da reunião na íntegra: 

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